25 de fev de 2011

POESIAS PARKINSONIANAS

POR QUE NÃO

NESTA VIDA
TUDO PODE ACONTECER
MESMO SENDO PESSOAS SAUDÁVEIS
INESPERADAMENTE, PARKINSONIANOS
PODEMOS VIR A SER.

ISSO ACOTECEU COMIGO
A VIDA ME FEZ PASSAR A SER
TUDO AO CONTRÁRIO DAQUILO QUE SONHEI SER.

SIM, SOU PARKINSONIANA
NÃO TENHO ORGULHO DE SER
ACONTECEU, QUE POSSO FAZER?

NADA? ISSO NÃO! CLARO QUE NÃO!
POSSO AMAR, SORRIR, CANTAR, SONHAR,
CHORAR QUANDO FOR POSSÍVEL,
ME APOIAR NO OMBRO DE UM AMIGO,
DE UM FILHO OU DO MARIDO.

A VIDA CONTINUA, QUERO VIVER
E NÃO QUERO SENTIR A ALMA NUA.
TER PARKINSON NÃO ME TIRA O DIREITO DE VIVER.

ÀS VEZES NEM ME LEMBRO QUE FIQUEI ASSIM
É A BONDADE DE JESUS PRESENTE,
SEMPRE DENTRO DE MIM,
ME ENSINANDO A ACEITAR
TUDO QUE NÃO POSSO MUDAR.

EM CERTOS MOMENTOS REZANDO,
ME OLHO E FICO PENSANDO.

MINHAS MÃOS TREMEM...
MAS OS PÁSSAROS NÃO DEIXAM DE CANTAR
AGORA MINHAS MÃOS TREMEM,
MAS NEM POR ISSO O SOL DEIXOU DE BRILHAR
E MINHAS MÃOS TREMEM...

MAS, OLHA SÓ,
TEM UM TEMPO, ME DIZ O CORAÇÃO,
QUE ATÉ AS FOLHAS SE PÕEM A BALANÇAR
E, NEM POR ISSO,
ELAS TOMBAM AO CHÃO.

SIM SOU PARKINSONIANA!
POR QUE NÃO?

De Diva Rangel Andrade
GRUPÁDUA PARKINSON -RJ

POESIAS PARKINSONIANAS

VER DEUS EM TUDO

AQUELE QUE OLHA O MAR, O CAMPO EM FLOR E NADA VÊ,
AQUELE QUE OLHA SÓ PARA SI E PARA O MUNDO SEU,
TALVEZ UM DIA ELE PROCURE, SÓ ENCONTRANDO O VÁCUO,
E TARDE DEMAIS, JÁ NÃO ENCONTRE DEUS.

AQUELE QUE O PRANTO E A DOR DOS OUTROS,
PASSA FRIO E INDIFERENTE, NADA VÊ
TALVEZ UM DIA EM SEU AMARGO PRANTO,
NINGUÉM VERÁ SUA DOR E SEU SOFRER.

AME A VIDA, O MOÇO, O VELHO,
O PRETO, O BRANCO, O RICO E O POBRE.
VÊ DEUS EM TUDO
ESPALHE AMOR NOS CAMINHOS QUE PASSAR.
E SERÁ SUA AQUELA PAZ SONHADA
E SERÁ FELIZ SEU ETERNO DESPERTAR.

Poesia de Zenaide Sawya Pierre. Nasceu em Passos de MG, residiu em São Paulo, capital, em Governador Valadares, hoje reside em Santo Antônio de Pádua.
GRUPÁDUA-RJ Grupo de Apoio aos Portadores de Parkinson-RJ

POESIAS PARKINSONIANAS

BEIJA-FLOR

OITENTA VEZES POR SEGUNDO
BATE AS ASAS UM BEIJA-FLOR
ASSIM SE CONSEGUE SUSPENSO
QUASE PARALIZADO NO AR
TREMENDO DIANTE DA FLOR.

QUEM ME DERA,QUEM ME DERA,
QUE O QUE ACONTECE COMIGO
VIESSE DA NATUREZA TÃO BELA!

ÀS VEZES, NO CORPO SINTO UM TREMOR
E, IGUAL ÀQUELA AVE COLORIDA,
TAMBÉM FICO QUIETA, PARALIZADA TREMENDO...
QUEM ME DERA SUGANDO O NÉCTAR,
DIANTE DA FLOR DA VIDA.

EU SOU PARKINSONIANA
MAS NÃO ME DOU POR VENCIDA
SONHO QUE DEUS ME FEZ BEIJA-FLOR
E ME DISFARÇOU DE DIVA.

QUEM ME DERA, QUEM ME DERA!

Poesiada autoria de Diva da Penha Rangel de Andrade,
GRUPÁDUA-RJ Grupo de Apoio aos Portadores de Parkinson
de Santo Antônio de Pádua-RJ